Tem uma frase que aparece com frequência no consultório: “Doutor, eu ainda tenho ereção. Não pode ser tão grave assim.” Entendo o raciocínio. Quando o problema não é total, parece que ainda há tempo, que a cirurgia é coisa para casos mais sérios, que talvez dê para adiar a conversa.
Acontece que essa lógica nem sempre funciona na prática clínica. A decisão de indicar ou não uma prótese peniana não depende só de ter ou não ter ereção. Depende, sobretudo, de entender em qual grau de disfunção erétil o paciente se encontra, do que já foi tentado antes e do impacto real que a situação está causando na vida dele.
Por isso, neste texto vamos detalhar como a medicina classifica esses graus, o que muda em cada um deles e quando a prótese passa a ser uma alternativa concreta mesmo para quem ainda mantém alguma resposta erétil.
O Que São os Graus de Disfunção Erétil?
A disfunção erétil não é uma coisa só. Ela vai desde dificuldades pontuais, que aparecem em momentos de estresse ou cansaço, até a perda total da capacidade erétil. Tratar tudo isso como a mesma condição é um erro que atrasa o diagnóstico correto e, consequentemente, o tratamento mais adequado.
Para organizar essa avaliação, os urologistas utilizam o IIEF-5, sigla para Índice Internacional de Função Erétil. Trata-se de um questionário com cinco perguntas, validado internacionalmente, que pontua a função sexual masculina numa escala de 5 a 25 pontos. Quanto menor a pontuação, mais grave a disfunção.
A partir dessa pontuação, os casos costumam se enquadrar em quatro categorias:
- Leve (17 a 21 pontos): O homem ainda consegue ereções na maior parte das vezes, mas já percebe que algo mudou. A rigidez não é a mesma ou a confiança diminuiu.
- Leve a moderada (12 a 16 pontos): As falhas começam a ser frequentes. A ereção acontece, mas nem sempre permite a penetração ou a relação completa.
- Moderada (8 a 11 pontos): Ereções funcionais são raras. A maioria das tentativas não resulta em relação satisfatória.
- Grave (5 a 7 pontos): A ereção praticamente não ocorre mais de forma espontânea.
Vale deixar claro que essa classificação é uma ferramenta de orientação, não uma sentença. Na prática, o médico leva em conta muito mais do que a pontuação: o histórico clínico do paciente, as causas prováveis da disfunção, os tratamentos já tentados e o quanto a situação está afetando a qualidade de vida. Ou seja, dois homens com a mesma pontuação no IIEF-5 podem precisar de abordagens completamente diferentes.
Por Que a Disfunção Erétil Piora com o Tempo?
Essa é uma pergunta importante, porque muitos homens chegam ao consultório achando que a situação vai se resolver sozinha ou que vai estabilizar num patamar aceitável. Em boa parte dos casos, infelizmente, não é isso que acontece.
Depois dos 40 anos, os fatores de risco para disfunção erétil se acumulam de forma progressiva. Estima-se que metade dos homens nessa faixa etária apresente algum grau de comprometimento da função erétil. Além disso, esse número cresce com a idade, especialmente quando há diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo ou sedentarismo no histórico.
O mecanismo por trás disso é principalmente vascular. O pênis depende de um fluxo sanguíneo adequado para conseguir e manter a ereção. Com o tempo, o acúmulo de fatores como os citados acima vai comprometendo esse fluxo gradualmente. Aliado a isso, a queda natural da testosterona também contribui para a piora da resposta erétil.
O sinal mais claro de que essa progressão está ocorrendo é quando os medicamentos deixam de funcionar. Muitos pacientes relatam que o sildenafil ou o tadalafil funcionavam bem no começo e foram perdendo eficácia. Essa perda de resposta, quando não tem causa psicológica evidente, costuma indicar que o problema é orgânico e tende a se agravar sem intervenção adequada.
A Prótese Peniana é Só Para Casos Graves?
Não. E esse é, provavelmente, o equívoco mais comum que encontro nos pacientes que chegam ao consultório.
A prótese peniana é classificada pelas principais diretrizes urológicas internacionais como tratamento de terceira linha para disfunção erétil. Isso significa que ela entra em cena quando as opções anteriores não funcionaram ou não são viáveis para aquele paciente. Portanto, a gravidade da disfunção erétil em si não é o único critério.
Por exemplo, um homem com disfunção de grau moderado, que ainda tem algumas ereções espontâneas mas não consegue manter a rigidez suficiente para uma relação satisfatória, e que já tentou medicação oral e injeções sem resultado, pode ser um candidato legítimo ao implante. A Associação Americana de Urologia e a Associação Europeia de Urologia reconhecem exatamente isso nas suas recomendações mais recentes.
Em outras palavras, o critério real não é “tenho ou não tenho ereção”. É se a ereção que o paciente tem permite uma vida sexual que ele considere satisfatória. Quando a resposta é não, e os tratamentos anteriores já foram tentados adequadamente, a prótese entra como alternativa concreta.
Quais Tratamentos Vêm Antes da Prótese?
O tratamento da disfunção erétil segue uma progressão lógica, do menos invasivo para o mais invasivo. Isso não quer dizer que todos os homens precisam passar por todas as etapas antes de chegar à cirurgia. Significa, no entanto, que a indicação deve ser feita com base no que já foi tentado e no que é viável para cada caso.
Primeira linha: começa sempre com ajustes no estilo de vida. Controle do peso, prática de atividade física, abandono do tabagismo e tratamento de condições associadas como diabetes e hipertensão já fazem diferença em muitos casos. Além disso, os inibidores da fosfodiesterase-5 como sildenafil, tadalafil e vardenafil são os medicamentos mais utilizados nessa fase. Em casos de deficiência hormonal documentada, a reposição de testosterona também pode ser necessária. Boa parte dos casos leves e moderados responde bem a esse conjunto de medidas.
Segunda linha: quando os comprimidos não funcionam, o médico pode indicar as injeções intracavernosas. O paciente aprende a aplicar a substância vasoativa, geralmente alprostadila, diretamente no corpo cavernoso antes da relação. A técnica é eficaz para muitos homens, mas exige adesão e disposição para um procedimento que, convenhamos, não é o mais confortável do mundo. Por isso, há quem abandone essa abordagem.
Terceira linha: quando nenhuma das opções anteriores funciona, não é tolerada pelo paciente ou simplesmente não é viável do ponto de vista clínico, o implante de prótese peniana passa a ser a alternativa mais adequada. O objetivo é simples: devolver a capacidade erétil de forma definitiva, sem depender de medicação antes de cada relação.
Para entender melhor como funciona cada uma dessas etapas, veja o que são os tratamentos de terceira linha para disfunção erétil.
O Que Muda Quando o Homem Ainda Tem Alguma Ereção?
Essa é a parte que mais gera confusão, e faz sentido. Se o homem ainda consegue alguma ereção, parece contraditório falar em prótese.
O que a clínica mostra, porém, é que a qualidade da ereção importa tanto quanto a presença dela. Um paciente que consegue penetração em duas de cada dez tentativas, perde a rigidez na metade das relações e vive com ansiedade de desempenho constante está, na prática, com a vida sexual seriamente comprometida. Sendo assim, o fato de ter “alguma ereção” não muda esse cenário.
Além disso, há um aspecto fisiológico que pouca gente conhece. Quando a disfunção erétil passa muito tempo sem tratamento adequado, o tecido dos corpos cavernosos começa a sofrer alterações. O músculo liso peniano, responsável pelo relaxamento que permite a entrada de sangue, vai sendo substituído por fibrose. Isso significa que, quanto mais tempo passa sem ereções funcionais, mais difícil fica para o tecido responder, seja a medicamentos, seja até à própria cirurgia. Em outras palavras, esperar pode não ser neutro.
Por tudo isso, o momento certo para a avaliação urológica não é quando a ereção desaparece completamente. É muito antes disso.
Quem Costuma Ser Indicado Para a Prótese Peniana?
O perfil mais comum nos consultórios de andrologia inclui homens acima dos 45 anos, com disfunção de causa orgânica bem documentada e histórico de falha com medicamentos orais. No entanto, existem outros contextos em que a prótese também entra em discussão:
- Disfunção erétil moderada a grave que não respondeu às medicações orais
- Intolerância aos inibidores da PDE-5 ou contraindicação pelo uso de nitratos
- Abandono das injeções intracavernosas por dificuldade de adesão ou ausência de resultado
- Disfunção erétil associada a diabetes com comprometimento vascular significativo
- Fibrose nos corpos cavernosos, que inviabiliza a resposta a tratamentos convencionais
- Sequelas de prostatectomia radical, especialmente quando os nervos não foram preservados
- Doença de Peyronie grave com perda importante da função erétil
Para saber mais sobre o dispositivo em si e como ele funciona no dia a dia, veja o que é uma prótese peniana e para que ela serve.
A Prótese Peniana Elimina a Ereção Natural que Ainda Existe?
Sim, e essa é uma informação que o paciente precisa entender antes de tomar a decisão.
O implante ocupa os corpos cavernosos, que são as estruturas responsáveis pela ereção espontânea. Depois da cirurgia, portanto, essas estruturas não funcionam mais da forma convencional. A partir daí, a rigidez passa a ser controlada pelo próprio paciente, acionando a prótese conforme sua vontade, sem depender de estímulo ou medicação.
No modelo inflável, o mais utilizado atualmente, o paciente aciona uma pequena bomba discreta localizada no escroto para inflar o dispositivo e obter a ereção. O processo é simples e, na maioria dos casos, se torna bastante natural depois do período de adaptação.
A questão central que o urologista avalia é: a ereção que esse paciente ainda tem é funcional o suficiente para relações satisfatórias? Se não for, e se os tratamentos anteriores já foram esgotados, o que a prótese oferece supera claramente o que o paciente perde. Ademais, os índices de satisfação com o procedimento, tanto dos pacientes quanto das parceiras, são consistentemente altos nos estudos publicados sobre o tema.
Para entender melhor os modelos disponíveis e como cada um funciona, veja como funciona a prótese peniana inflável. Vale também conhecer os riscos do procedimento antes de qualquer decisão.
Quando Vale Marcar uma Consulta?
Se você percebe que os remédios que antes funcionavam já não produzem o mesmo efeito, esse é um sinal claro. Da mesma forma, se a ereção começa mas não sustenta a relação até o fim, isso também merece atenção. Se, além disso, o medo de falhar está interferindo na vontade de ter relações, a situação é relevante clinicamente, não apenas emocionalmente.
Esses sinais ficam ainda mais urgentes quando aparecem junto a diabetes, pressão alta ou quando o paciente tem histórico de cirurgia prostática.
A consulta não tem como objetivo apressar uma decisão cirúrgica. O que ela faz, na verdade, é mapear em qual grau de disfunção erétil o paciente está, entender o que já foi tentado e identificar o melhor caminho dali para frente, seja com ajustes nas medicações, seja com injeções, seja com cirurgia. Quanto mais cedo isso for feito, mais opções estarão disponíveis.
Agende sua consulta com o Dr. Bruno von Mühlen, urologista e andrologista referência em diagnóstico e tratamento da disfunção erétil em Chapecó-SC
O Dr. Bruno von Mühlen é urologista e andrologista com atuação em Chapecó e região, com foco no tratamento da disfunção erétil e no implante de prótese peniana. Cada paciente recebe uma avaliação individualizada, com tempo para entender o histórico, os tratamentos já realizados e o que faz mais sentido para aquela situação específica.
Se você identificou algum dos sinais descritos neste texto, vale dar o próximo passo.
Agende sua consulta com o Dr. Bruno von Mühlen
Referência científica: Sarris AB, Nakamura MK, Fernandes LGR, et al. Fisiopatologia, avaliação e tratamento da disfunção erétil: artigo de revisão. Rev Med (São Paulo). 2016;95(1):18-29. Disponível em: https://revistas.usp.br/revistadc/article/view/98277
Referência científica: Rosen RC, Riley A, Wagner G, et al. The International Index of Erectile Function (IIEF): a multidimensional scale for assessment of erectile dysfunction. Urology. 1997;49(6):822-830. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9187685/
