A correção da doença de Peyronie diminui o tamanho do pênis?
Essa é uma das perguntas que eu mais ouço no consultório: A cirurgia de Peyronie diminui o tamanho do pênis? O homem já chega fragilizado, preocupado com a curvatura, e ainda carrega o medo de que o tratamento vá deixar o pênis menor do que ele já está.
Neste artigo, vou ser direto com você e responder a essa pergunta. Mas já adianto que depende da técnica cirúrgica escolhida.
Por isso, que você precisa ler este artigo até o final antes de qualquer decisão.
Agende sua consulta com o Dr. Bruno Von Mühlen, Urologista e Andrologista referência no tratamento da Peyronie em Chapecó.
Se você notou uma curvatura no pênis, sente dor durante a ereção ou tem medo de que a doença de Peyronie já tenha, ou vá diminuir o tamanho do seu pênis, não espere mais. Cada caso é único e merece uma avaliação individualizada.
A doença de Peyronie diminui o pênis mesmo sem cirurgia?
Antes de falar sobre cirurgia, preciso deixar algo muito claro: A própria doença de Peyronie já causa encurtamento peniano.
Isso acontece porque as placas de fibrose que se formam na túnica albugínea, a camada de revestimento interno do pênis, são duras e inelásticas.
Desse modo, elas impedem que o pênis se alongue de forma simétrica durante a ereção.
Ou seja, quando o paciente chega até mim perguntando se “Peyronie diminui o pênis”, a resposta é sim, e muitas vezes isso já aconteceu antes mesmo de qualquer intervenção.
A cirurgia, então, não é a vilã dessa história. Pelo contrário: a cirurgia certa pode recuperar parte ou até todo o comprimento perdido.
Vale lembrar que a doença de Peyronie tem duas fases.
A fase inflamatória, com dor e curvatura progressiva, que dura em média 9 a 12 meses, e a fase fibrótica, quando a curvatura se estabiliza e a dor desaparece. A cirurgia só é indicada na fase fibrótica, quando o quadro está estável.
Existe algum tratamento não cirúrgico que preserve o comprimento?
Na fase aguda, aquela primeira fase com dor e entortamento progressivo, o objetivo é esfriar o processo inflamatório.
Usamos algumas medicações orais, mas é honesto dizer que não existe nenhum tratamento oral padronizado e comprovado para reverter a deformidade peniana.
O que temos são tentativas de diminuir a inflamação e desacelerar a progressão da fibrose.
Injeções intralesionais associadas à terapia de tração peniana podem ajudar a controlar a dor, minimizar um pouco a deformidade e, em alguns casos, melhorar as condições para uma cirurgia futura.
Mas é importante que você saiba: nenhum tratamento conservador vai corrigir uma curvatura significativa. Quando a indicação cirúrgica existe, ela é o caminho.
Quais são as técnicas cirúrgicas disponíveis e qual delas preserva mais o comprimento?
Aqui está o coração do assunto. Existem basicamente três abordagens cirúrgicas para a doença de Peyronie, e cada uma impacta o comprimento de forma diferente.
Técnica de Plicatura: curvaturas até 60°
Nessa técnica, eu trabalho no lado oposto à placa de fibrose. Dou pontos na túnica albugínea do lado “saudável” para trazer o pênis de volta ao eixo normal. É uma cirurgia menos invasiva, tecnicamente mais simples, e com risco praticamente nulo de disfunção erétil, porque não abrimos a camada profunda do pênis.
O ponto negativo é o encurtamento. Como estamos “puxando” o lado longo para compensar o lado curto, há uma perda de comprimento que gira em torno de 1 a 3 centímetros. Por isso, ela é indicada para pacientes que têm uma haste peniana de bom tamanho e curvaturas menos acentuadas.
Técnica de Enxerto: curvaturas acima de 60°
Essa é a técnica que mais preserva, e pode até recuperar, o comprimento peniano. Aqui eu trabalho diretamente na área da placa: faço incisões de relaxamento nessa região e cubro o defeito com um enxerto. O mais utilizado é o enxerto de pericárdio bovino, um material amplamente estudado e com taxa de rejeição muito baixa.
A vantagem é clara: conseguimos aproximar o pênis do comprimento que ele tinha antes da doença. Mas existe um risco que precisa ser discutido seriamente — a possibilidade de impactar a função erétil. Por isso, o candidato ideal é aquele com ereção firme antes da cirurgia, sem comorbidades importantes como diabetes descontrolado.
Correção com Prótese Peniana: para disfunção erétil associada
Quando o paciente já chega com disfunção erétil significativa, seja pela própria doença, pela idade ou por comorbidades, a melhor solução costuma ser corrigir a curvatura e implantar a prótese peniana no mesmo tempo cirúrgico. Resolvo os dois problemas de uma vez.
A prótese pode ser maleável ou inflável, dependendo do perfil e da escolha do paciente. Essa combinação entrega um pênis corrigido e uma ereção funcional, eliminando o risco de disfunção erétil pós-operatória. Para muitos pacientes, é a opção que oferece o melhor resultado global.
Para quem a cirurgia com enxerto é indicada?
O enxerto é tecnicamente a melhor opção para preservar e recuperar o comprimento, mas ele não serve para todo mundo. Os critérios que eu levo em consideração são:
Grau de curvatura: Curvaturas acima de 60 graus, curvaturas biplanares (que ocorrem em mais de um eixo) ou deformidades complexas como a deformidade em ampulheta são as indicações mais comuns do enxerto.
Função erétil prévia: Esse é o fator mais importante. Se o paciente já tem dificuldade para ter ereção antes da cirurgia, mesmo usando medicação como tadalafila, o enxerto provavelmente não será a melhor escolha isolada.
Nesse caso, avaliamos o implante de prótese junto.
Comorbidades: diabetes, hipertensão mal controlada e tabagismo pesado aumentam o risco de comprometimento da ereção no pós-operatório. Tudo isso precisa ser avaliado individualmente antes de decidir.
E a deformidade em ampulheta? Ela também afeta o comprimento?
Sim, e é um cenário que merece atenção especial. A deformidade em ampulheta faz com que o pênis perca estabilidade no meio da haste, criando um efeito de “dobradiça” durante a penetração. É uma das deformidades mais frustrantes para o paciente, e mais desafiadoras para nós, cirurgiões.
Todas as técnicas sem prótese têm uma taxa de falha um pouco mais elevada nesse cenário.
Por isso, sempre deixo claro para o paciente: pode ser necessária uma segunda intervenção com prótese peniana caso o primeiro tratamento não traga o resultado esperado.
Qual é o risco real de que a cirurgia piore a situação?
Vou ser transparente, porque acho que essa honestidade é fundamental. Os três principais riscos da cirurgia de enxerto são:
1. Disfunção erétil pós-operatória:
É o risco mais relevante e caminha em paralelo com a função erétil que o paciente tinha antes. Quanto melhor a ereção antes, menor o risco depois.
2. Recidiva parcial da curvatura:
Os enxertos têm uma taxa de retração ao longo do tempo, o que pode levar a um retorno parcial da curvatura original. Não é total, mas pode acontecer.
3. Rejeição do enxerto:
Esse é o medo mais comum, e o que menos se concretiza. O pericárdio bovino é usado há décadas na cirurgia cardíaca e tem um perfil de tolerabilidade muito alto. A taxa de rejeição verdadeira é muito baixa.
Dessa maneira, o que o paciente às vezes confunde com “rejeição” é, na verdade, uma retração do material, que é diferente e bem mais manejável.
Quando a cirurgia não é necessária?
Nem todo homem com doença de Peyronie precisa ser operado.
Então, se a curvatura for pequena, geralmente abaixo de 30 graus, e não impactar a penetração nem causar desconforto significativo para o casal, a conduta pode ser de acompanhamento. Curvaturas entre 30 e 60 graus que não comprometem a vida sexual também podem ser manejadas de forma conservadora, dependendo do caso.
Nesse sentido, a indicação cirúrgica existe quando a curvatura impossibilita ou dificulta significativamente a relação sexual.
Então, é essa conversa individualizada que precisa acontecer no consultório.
O que você precisa saber antes de decidir?
A doença de Peyronie está associada a taxas de até 25% de episódios depressivos.
Não é à toa, ela afeta algo muito ligado à identidade e à autoestima masculina.
Então, além de toda a parte técnica, essa conversa também precisa ter espaço para o lado emocional.
Por fim, o que eu sempre digo: não existe decisão certa universal. Existe a decisão certa para o seu caso, com a sua função erétil, o seu grau de curvatura, as suas comorbidades e as suas expectativas.
Portanto, é por isso que cada paciente precisa ser avaliado individualmente.
Referências científicas
- Levine, L.A. et al. Peyronie’s Disease: AUA Guideline. Journal of Urology, 2015. Disponível em: https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/peyronies-disease-guideline
- Hatzimouratidis, K. et al. EAU Guidelines on Penile Curvature. European Association of Urology, 2023. Disponível em: https://uroweb.org/guidelines/penile-curvature
- Mulhall, J.P. et al. Analysis of the impact of Peyronie’s disease on sexual and psychosocial functioning. Journal of Sexual Medicine, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1743-6109.2006.00241.x
