Vasectomia dói? O que o homem sente antes e após a cirurgia?
Vasectomia dói? Essa é, sem dúvida, uma das perguntas que eu mais ouço no consultório.
O homem chega interessado no procedimento, já conversou com a esposa, a família está completa. Mas trava na hora de agendar por causa do medo da dor.
Por isso, vou ser direto ao ponto: a vasectomia é um procedimento rápido, seguro e, na grande maioria dos casos, praticamente indolor.
Ao longo deste artigo, vou explicar exatamente o que você vai sentir durante a cirurgia e nos dias seguintes, para que você tome a sua decisão com segurança e sem angústias desnecessárias.
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Se você está considerando a vasectomia e quer entender se esse é o momento certo para você, marque uma consulta. Vamos conversar sobre o procedimento, tirar todas as suas dúvidas e, juntos, tomar a melhor decisão para a sua vida.
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Vasectomia dói durante a cirurgia?
A resposta curta é: não. Durante a cirurgia, você não vai sentir dor. Isso porque realizamos o procedimento com anestesia local e, em alguns casos, também com sedação, dependendo do perfil de cada paciente.
No momento da anestesia, o homem costuma sentir uma pequena picada e uma leve ardência enquanto o anestésico começa a agir. Isso dura apenas alguns segundos. Depois disso, a região fica completamente insensível e a cirurgia transcorre sem dor.
Alguns pacientes descrevem uma sensação de pressão ou de movimento na região durante o procedimento. Isso é completamente normal e esperado. Contudo, pressão não é dor. É apenas a percepção de que algo está acontecendo, sem nenhum desconforto significativo.
Além disso, a cirurgia dura em torno de 30 a 40 minutos. Depois do procedimento, o paciente vai para casa no mesmo dia, geralmente duas a três horas depois. Por isso, o processo é muito mais simples do que a maioria dos homens imagina antes de vir ao consultório.
Como funciona a vasectomia? O que acontece durante o procedimento?
Para entender por que a vasectomia dói tão pouco, é útil saber o que acontece durante a cirurgia. Basicamente, seccionamos os ductos deferentes, que são os pequenos canais responsáveis por transportar os espermatozoides dos testículos até a uretra.
Por meio de uma pequena incisão na bolsa escrotal, identificamos os ductos logo abaixo da pele, cortamos e bloqueamos com fios de sutura. Dessa forma, os espermatozoides deixam de chegar ao ejaculado. Existe também a técnica sem bisturi, que reduz ainda mais o risco de infecção e costuma tornar a recuperação um pouco mais confortável.
É importante deixar claro que a vasectomia não envolve os testículos em si. Por isso, ela não afeta a produção de testosterona e não tem qualquer impacto sobre a função erétil. A anatomia onde operamos é completamente distinta da anatomia envolvida na ereção. Sendo assim, impotência após vasectomia é um mito, e eu gosto de reforçar isso com todos os meus pacientes.
O que o homem sente no pós-operatório imediato?
Aqui eu preciso ser honesto com você: o pós-operatório da vasectomia é muito tranquilo, mas não é completamente isento de desconforto. Acho importante falar isso para que você não se surpreenda.
Nas primeiras 24 a 48 horas após a cirurgia, é normal sentir um desconforto leve a moderado na região escrotal. Muitos homens descrevem como uma sensação de peso ou de batida no local, parecida com um pequeno trauma na região. Além disso, um inchaço discreto pode aparecer, e isso é absolutamente esperado.
Ainda assim, esse desconforto responde muito bem a analgésicos simples, que prescrevemos no pós-operatório. A grande maioria dos pacientes não precisa de nada mais forte do que um anti-inflamatório comum.
Por isso, o medo de sofrer muito depois da cirurgia é, na maior parte dos casos, bem maior do que a experiência real.
Quanto tempo dura o desconforto após a vasectomia?
Na maioria dos casos, o desconforto mais intenso fica restrito aos dois primeiros dias. A partir do terceiro dia, a maior parte dos pacientes já se sente bem melhor e consegue retornar às atividades rotineiras leves sem grandes dificuldades.
Recomendo um repouso de aproximadamente dois dias. Nesse período, o ideal é evitar esforços físicos, ficar em repouso com a bolsa escrotal elevada e aplicar gelo local nas primeiras horas para reduzir o inchaço. Além disso, cuecas mais ajustadas ajudam a dar suporte à região e diminuem o desconforto durante a movimentação.
Em relação à atividade sexual, o retorno costuma acontecer entre sete e dez dias após o procedimento. No entanto, é fundamental lembrar que nos primeiros três meses após a vasectomia ainda é necessário manter outros métodos contraceptivos. Isso porque os espermatozoides podem permanecer vivos nos ductos por até 120 dias.
Somente depois do espermograma de controle, que confirma a ausência de espermatozoides no ejaculado, podemos considerar a vasectomia plenamente efetiva.
A vasectomia muda alguma coisa na ejaculação ou no prazer sexual?
Não, e esse é um dos pontos que mais preciso esclarecer no consultório, porque existe muita desinformação sobre isso.
O espermatozoide contribui com apenas cerca de 3% do volume total do sêmen ejaculado. A próstata e as vesículas seminais produzem os outros 97%, e elas continuam funcionando normalmente após a vasectomia. Por isso, o volume e a aparência do ejaculado permanecem praticamente idênticos aos de antes. O paciente simplesmente não percebe nenhuma diferença a olho nu.
Além disso, a sensibilidade, a intensidade do orgasmo e a libido também não sofrem nenhum impacto. A vasectomia interrompe apenas o caminho do espermatozoide até a saída. Tudo o mais continua exatamente igual. Sendo assim, quando o paciente me pergunta se vai parar de ejacular após a vasectomia, a resposta é simples: não, de forma alguma.
Quais são os dois tipos de vasectomia disponíveis hoje?
Quando o paciente chega ao consultório perguntando sobre vasectomia, uma das primeiras coisas que explico é que existem duas técnicas disponíveis. Cada uma tem suas características, e a escolha entre elas depende do perfil de cada paciente.
A primeira é a vasectomia convencional, também chamada de vasectomia com incisão. Nessa técnica, fazemos uma pequena incisão de cada lado da bolsa escrotal, identificamos os ductos deferentes, cortamos e bloqueamos com fios de sutura.
Ao final, fechamos a incisão com pontos. É uma técnica consagrada, amplamente utilizada há décadas e com excelentes taxas de sucesso. Além disso, é o método que a maioria dos homens conhece quando pensa em vasectomia.
A segunda é a vasectomia sem bisturi, também conhecida como vasectomia sem corte. Nessa abordagem, substituímos o bisturi por um instrumento muito fino que acessa os ductos deferentes por meio de uma micropunção na pele.
Por isso, não há incisão, não há corte e não há necessidade de pontos ao final. Sendo assim, o trauma na região é significativamente menor, o que resulta em menos inchaço, menor risco de infecção e um pós-operatório geralmente mais confortável.
No que diz respeito à eficácia, as duas técnicas chegam ao mesmo resultado: a interrupção do caminho dos espermatozoides e a contracepção com taxa de sucesso de 99%. Portanto, a diferença entre elas está na forma de acesso e no conforto da recuperação, e não no resultado final.
É justamente por isso que a escolha entre as duas deve ser feita em conjunto com o urologista, levando em conta a anatomia e o histórico de cada paciente.
A vasectomia sem corte dói menos do que a técnica convencional?
Sim, e por isso eu costumo explicar essa diferença com cuidado para cada paciente que vem ao consultório. A vasectomia sem bisturi, também chamada de vasectomia sem corte, é uma técnica minimamente invasiva que substitui a incisão tradicional por uma micropunção na pele da bolsa escrotal.
Na prática, isso significa que não usamos bisturi, não fazemos cortes e não precisamos de pontos de sutura ao final do procedimento. Por meio de um instrumento muito fino, acessamos os ductos deferentes diretamente através dessa micropunção. Dessa forma, o trauma na pele é muito menor do que na técnica convencional.
Para o paciente, o resultado é uma recuperação mais confortável, com menos inchaço nos primeiros dias e menor risco de infecção e de sangramento. Além disso, o desconforto no pós-operatório tende a ser ainda mais leve do que o já esperado na técnica com incisão.
Por isso, quando o perfil do paciente permite, essa é a técnica que prefiro indicar.
Quem pode fazer a vasectomia sem bisturi?
A boa notícia é que a maioria dos homens é candidata à vasectomia sem bisturi. Contudo, alguns fatores anatômicos podem influenciar essa escolha, e é justamente por isso que a avaliação no consultório é indispensável.
Pacientes que já realizaram cirurgias anteriores na bolsa escrotal, como correção de varicocele ou de hérnia inguinal, podem ter aderências na região que tornam o acesso aos ductos um pouco mais complexo.
Nesses casos, avalio com cuidado qual abordagem oferece o melhor resultado para aquele paciente específico.
De forma geral, porém, a vasectomia sem bisturi é segura, eficaz e apresenta as mesmas taxas de sucesso da técnica convencional, com a vantagem de um pós-operatório ainda mais tranquilo.
Sendo assim, se você tem medo do corte e esse é um dos fatores que está adiando a sua decisão, saiba que existe uma alternativa muito menos invasiva disponível. Esse é exatamente o tipo de conversa que temos durante a consulta, para que você chegue na cirurgia com segurança e sem nenhuma dúvida em aberto.
Vasectomia dói mais do que uma simples injeção?
Essa comparação pode parecer exagerada, mas uso ela justamente para dar uma referência concreta ao paciente. Para a maioria dos homens, o desconforto durante a aplicação da anestesia local é comparável ao de uma injeção comum.
Ou seja, um desconforto de segundos, pontual e muito bem tolerado.
O que costuma surpreender positivamente os pacientes é justamente a diferença entre o que imaginavam antes e o que realmente sentiram durante e depois do procedimento.
É muito comum ouvir na consulta de retorno: “Doutor, foi muito mais simples do que eu pensava.” Por isso, encorajo qualquer homem que esteja cogitando a vasectomia a não deixar o medo da dor adiar essa decisão.
Quem pode fazer vasectomia no Brasil?
De acordo com a Lei nº 9.263/96, que regula o planejamento familiar no Brasil, o homem pode realizar a vasectomia a partir dos 25 anos de idade ou quando já tem pelo menos dois filhos vivos. Além disso, a lei exige um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação de vontade e a realização da cirurgia. Esse período existe justamente para garantir que a decisão seja bem refletida e madura.
Em caso de união conjugal, o consentimento do cônjuge também é necessário por lei. São informações que apresento com clareza para cada paciente durante a consulta, para que todo o processo aconteça de forma tranquila e dentro da legalidade.
Quando a vasectomia não é recomendada?
A vasectomia é um método definitivo, e esse é o ponto mais importante de toda a conversa. Por isso, a principal situação em que eu não recomendo avançar é quando existe incerteza sobre o desejo de ter filhos no futuro.
Apesar de existir a possibilidade de reversão da vasectomia, com taxas de sucesso que chegam a 90% quando realizamos o procedimento em menos de 15 anos, o homem precisa encarar a vasectomia sempre como permanente. Portanto, se existe qualquer dúvida, o momento ainda não chegou. Essa é uma conversa honesta que tenho com todos os meus pacientes antes de qualquer encaminhamento para a cirurgia.
O que você precisa saber antes de agendar a consulta?
A vasectomia é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis hoje, com taxa de sucesso de 99%. Trata-se de um procedimento de pequeno porte, com anestesia local, duração de 30 a 40 minutos e alta no mesmo dia. Além disso, o pós-operatório é tranquilo e o retorno às atividades normais acontece rapidamente.
O medo da dor é compreensível, mas não pode ser o motivo que impede o homem de considerar esse método. A melhor forma de dissipar qualquer dúvida é vir ao consultório e conversar.
Cada caso tem suas particularidades, e é nessa conversa individualizada que tomamos as decisões mais seguras. Se quiser saber mais sobre a vasectomia, principalmente se ela é definitiva, confira também os conteúdos sobre saúde sexual masculina disponíveis aqui.
Dr. Bruno von Mühlen, Urologista e Andrologista
CRM-SC 18869 – RQE 17624
Endereço do Consultório: Rua Mal. Floriano Peixoto, 606, Jardim Itália, Chapecó-SC
Referências científicas
- Sharlip, I.D. et al. Vasectomy: AUA Guideline. American Urological Association, 2012. Disponível em: https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/vasectomy-guideline
- Brasil. Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Regula o planejamento familiar. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9263.htm
- Labrecque, M. et al. Vasectomy surgical techniques in South and South East Asia. BMC Urology, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1186/1471-2490-5-10
