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Coceira e feridas no pênis: conheça a candidíase masculina e seus tratamentos

Coceira e feridas no pênis: conheça a candidíase masculina e seus tratamentos

Coceira persistente, vermelhidão, pequenas feridas ou uma película esbranquiçada na glande. Se você chegou até este artigo, provavelmente está percebendo algum desses sinais e quer entender o que está acontecendo.

No consultório, atendo com frequência homens que chegam com queixas de coceira e feridas no pênis e que, muitas vezes, passaram semanas ou meses tentando tratar sozinhos uma condição que precisava de diagnóstico adequado.

A candidíase masculina é uma das causas mais comuns desse tipo de sintoma, mas não é a única.

Por isso, quero conversar com você neste artigo e te ajudar a entender o que pode estar causando esses sintomas, como diferenciar uma irritação simples de algo que precisa de atenção urgente e, principalmente, quando procurar um urologista.

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Coceira e feridas no pênis: O que é a candidíase masculina?

A candidíase é uma infecção causada por fungos do gênero Candida, sendo a espécie Candida albicans a responsável pela grande maioria dos casos.

Essa levedura faz parte da microbiota normal do organismo humano, mas em determinadas condições pode se multiplicar de forma excessiva e causar infecção.

Porém,  no homem, a candidíase se manifesta principalmente na glande e no prepúcio, a região conhecida popularmente como “cabeça do pênis” e a pele que a recobre. Quando isso acontece, o quadro recebe o nome de balanite ou balanopostite candidótica.

Este é um diagnóstico que muita gente associa exclusivamente às mulheres, mas que acomete homens com regularidade, especialmente aqueles com algum fator predisponente.

Então, é justamente aqui que começa a confusão.

Por não reconhecer que homens também têm candidíase, muitos pacientes chegam ao consultório tarde demais, após semanas tentando resolver com cremes comprados sem receita ou, pior, com produtos completamente inadequados que agravam a irritação.

Quais são os sintomas da candidíase masculina?

Em primeiro lugar, essa é a pergunta que mais recebo quando o assunto é candidíase masculina.

Isso ocorre porque os sintomas são parecidos com os de outras condições, o que torna o autodiagnóstico perigoso.

De forma geral, os sinais mais comuns da candidíase no pênis incluem:

Coceira intensa na glande e no prepúcio.

Essa é quase sempre a primeira queixa, pois o homem sente uma coceira que não passa, que piora após relação sexual ou após contato com sabonetes perfumados.

Vermelhidão e irritação.

Outro sintoma é que a pele da glande fica avermelhada, por vezes com aspecto brilhante ou levemente edemaciado.

Presença de secreção esbranquiçada.

Além disso, é possível que um exsudato branco, de aspecto semelhante a coalhada, pode aparecer sob o prepúcio, especialmente em homens não circuncidados.

Pequenas feridas ou erosões superficiais.

Em casos mais intensos, surgem fissuras ou pequenas ulcerações na glande ou no prepúcio. É nesse momento que muitos pacientes se assustam e chegam ao consultório.

Ardência ao urinar ou durante a relação sexual.

Ademais, o desconforto pode se estender ao ato de urinar, especialmente quando a infecção está mais estabelecida.

Odor alterado.

Em alguns casos, há percepção de odor diferente do habitual na região.

Importante ressaltar que a presença de feridas no pênis nunca deve ser interpretada de forma automática como candidíase. Outras condições podem se apresentar de maneira semelhante, e algumas delas exigem atenção imediata.

O que mais pode causar coceira e feridas no pênis além da candidíase?

Como dito anteriormente, coceira e feridas no pênis são sintomas, não um diagnóstico. Ou seja, podem ser provocados por diversas condições, com gravidades e tratamentos completamente distintos.

Portanto, entre as principais causas que precisam ser diferenciadas da candidíase, vale destacar:

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

EM primeiro lugar, o herpes genital, a sífilis, o cancro mole e a gonorreia podem causar lesões, úlceras e feridas no pênis que se confundem com candidíase, especialmente nas fases iniciais.

Além disso, algumas dessas ISTs cursam com feridas indolores, como a sífilis primária, e exatamente por isso podem passar despercebidas por mais tempo.

Dermatite de contato.

O uso de sabonetes perfumados, lubrificantes, preservativos com látex ou espermicidas pode irritar a pele da glande e causar vermelhidão, coceira e pequenas fissuras. Nesse caso, não há infecção, mas sim uma reação inflamatória de contato.

Psoríase genital.

Uma condição dermatológica que pode se manifestar na região genital com placas avermelhadas, descamação e coceira.

Líquen escleroso.

Uma doença dermatológica crônica que acomete a glande e o prepúcio, causando endurecimento da pele, manchas brancas e, com o tempo, dificuldade para retrair o prepúcio (fimose adquirida). .

Fimose e balanopostite de repetição.

O prepúcio com abertura reduzida acumula secreções e favorece infecções repetidas, inflamação crônica e feridas. Em muitos casos, esse é o fator que está perpetuando os episódios repetidos de candidíase ou de inflamação na glande.

Lesões sugestivas de neoplasia.

Manchas persistentes, lesões que não cicatrizam, alterações de pigmentação ou lesões de aspecto diferente do habitual na glande precisam ser avaliadas com atenção. Embora seja um cenário menos frequente, o carcinoma de pênis pode se iniciar com lesões que o paciente negligencia por meses.

Dito isso, fica evidente por que o autodiagnóstico é um caminho arriscado. Tratar uma sífilis como se fosse candidíase, ou ignorar um líquen escleroso por achar que é “só uma irritação”  tem consequências graves para a saúde.

Quais são os fatores de risco para a candidíase masculina?

A Candida está presente em nosso organismo em condições normais, mas alguns fatores podem desequilibrar essa relação e favorecer a infecção.

No entanto, os principais fatores de risco são:

Diabetes mellitus.

O ambiente com glicose elevada favorece o crescimento fúngico. Homens diabéticos, especialmente aqueles com controle glicêmico inadequado, têm risco significativamente maior de desenvolver candidíase genital de repetição.

Uso recente de antibióticos.

Os antibióticos de amplo espectro alteram o equilíbrio da microbiota e podem abrir espaço para a proliferação fúngica.

Imunossupressão.

Qualquer condição que reduza a imunidade do organismo, seja por doença (como HIV), seja por uso de medicamentos imunossupressores, aumenta o risco de infecções fúngicas.

Higiene inadequada da região genital.

O acúmulo de secreções sob o prepúcio em homens não circuncidados cria um ambiente úmido e quente, favorável ao crescimento de fungos.

Prepúcio com abertura reduzida (fimose).

Esse fator merece destaque especial, porque está diretamente relacionado aos casos de candidíase de repetição que atendo no consultório. Quando o prepúcio não pode ser retraído adequadamente, a higiene da glande fica comprometida e o ambiente sob o prepúcio se torna cronicamente propício a infecções.

Relação sexual com parceira com candidíase vaginal.

Embora a candidíase não seja classificada formalmente como IST, o contato sexual com uma parceira em crise de candidíase vaginal pode transmitir o fungo para o homem, especialmente se ele tiver algum fator predisponente.

Obesidade.

O excesso de peso favorece um ambiente mais úmido na região genital e pode comprometer a imunidade local.

Como é feito o diagnóstico da candidíase masculina?

No consultório, o diagnóstico da candidíase masculina começa pela história clínica e pelo exame físico.

Nesse sentido, na maioria dos casos, o aspecto característico das lesões, como a vermelhidão, a presença de exsudato esbranquiçado, a distribuição das lesões na glande e no prepúcio, já orienta bastante o raciocínio clínico.

Em alguns casos, especialmente quando as lesões têm aspecto atípico ou quando o paciente não responde ao tratamento inicial como esperado, solicito exames complementares.

O mais utilizado é a cultura de secreção, que confirma a presença e a espécie do fungo e permite testar a sensibilidade aos antifúngicos disponíveis.

Portanto, a pesquisa de ISTs também pode ser necessária, dependendo do contexto clínico. Afinal, é possível ter candidíase e uma IST ao mesmo tempo, e tratar apenas uma das condições não resolve o problema.

Qual é o tratamento da candidíase masculina?

O tratamento da candidíase masculina é, na maioria dos casos, eficaz e de resolução relativamente rápida quando bem conduzido. Mas ele precisa ser prescrito por um médico, porque automedicar-se com antifúngicos pode mascarar outras condições mais graves.

Antifúngico tópico.

Para casos localizados e sem complicações, o tratamento de primeira linha geralmente é a aplicação de um creme antifúngico diretamente na glande e no prepúcio, por um período que varia conforme o medicamento e a resposta clínica. Desse modo, o fluconazol tópico e o clotrimazol são exemplos de substâncias utilizadas, mas a escolha depende de avaliação individual.

Antifúngico oral.

Em casos mais extensos, recorrentes ou quando o paciente tem dificuldade de adesão ao tratamento tópico, o antifúngico oral pode ser a melhor opção. Então, o fluconazol em dose única ou em esquemas mais prolongados é frequentemente utilizado, sempre com prescrição e orientação médica.

Tratamento do fator predisponente.

Por fim, esse é um ponto que não pode ser negligenciado, pois tratar o episódio agudo de candidíase sem investigar e corrigir o fator que está favorecendo a infecção é uma receita para a recorrência.

Por exemplo, se o paciente tem diabetes descompensado, precisamos controlar a glicemia. Se tem fimose, precisamos discutir o tratamento adequado.

Qual é a relação entre fimose, candidíase e a postectomia?

A fimose é a condição em que o prepúcio não pode ser retraído adequadamente sobre a glande. Quando o prepúcio é fechado demais, a higiene da glande fica comprometida, o ambiente sob o prepúcio se mantém úmido e com acúmulo de secreções, e as infecções de repetição se tornam quase inevitáveis.

Consequentemente, homens com fimose que sofrem de candidíase ou balanopostite de repetição frequentemente passam por ciclos de tratamento, melhora temporária e recaída, porque o fator mecânico que favorece a infecção nunca foi corrigido.

Nesses casos, a postectomia, que é a cirurgia de retirada do prepúcio, pode ser a solução definitiva para encerrar esse ciclo. 

A indicação cirúrgica é sempre criteriosa e individualizada, porque não existe indicação de postectomia para todos os casos de candidíase, mas para aqueles pacientes com fimose associada a infecções recorrentes.

Nesses casos, a cirurgia representa uma virada de chave real na qualidade de vida.

Quando as feridas no pênis são um sinal de alerta urgente?

Existem situações em que as feridas no pênis não podem esperar uma consulta de rotina marcada para daqui a duas semanas.

Por isso, veja os sinais que indicam que você precisa buscar avaliação médica com urgência:

Ferida única, de bordas bem definidas e indolor.

Esse é o perfil clássico do cancro duro da sífilis primária. A ausência de dor não significa que está tudo bem, pelo contrário, é justamente a característica que faz com que muitos homens demorem a procurar ajuda.

Bolhas dolorosas que se rompem e formam úlceras.

Esse padrão é altamente sugestivo de herpes genital, especialmente se vier acompanhado de sensação de queimação, ardência intensa e febre no primeiro episódio.

Lesão que não cicatriza após duas a três semanas.

Qualquer ferida que persiste sem sinais de melhora precisa ser avaliada. Isso inclui manchas, lesões verrucosas, áreas endurecidas ou com alteração de pigmentação persistente.

Secreção purulenta no pênis.

Secreção amarelada ou esverdeada saindo pela uretra é um sinal de infecção que precisa de avaliação imediata.

Febre associada a feridas ou inchaço na região genital.

A combinação de febre com lesões genitais pode indicar infecção bacteriana, abscesso ou uma IST em fase mais avançada.

Histórico de relação sexual desprotegida recente.

Se você teve relação desprotegida e depois desenvolveu qualquer tipo de lesão genital, não espere os sintomas piorarem. Procure avaliação.

Como prevenir coceira e feridas no pênis?

Higiene adequada da região genital: Limpar a glande diariamente, retraindo o prepúcio com cuidado durante o banho e secando bem a região depois, é um hábito simples que faz diferença real na prevenção de infecções fúngicas.

Evitar sabonetes perfumados ou produtos irritantes na glande: A pele da glande é sensível. Sabonetes com fragrância, antissépticos e produtos “íntimos” agressivos alteram o equilíbrio local e favorecem irritações e infecções.

Controle de condições sistêmicas: Se você tem diabetes, manter a glicemia controlada é fundamental. Se está em uso de antibióticos, fique atento aos sintomas e comunique ao seu médico qualquer alteração.

Uso de preservativo: O preservativo reduz o risco de transmissão de ISTs e também a exposição ao ambiente vaginal em casos em que a parceira está com candidíase ativa.

Roupas íntimas adequadas: Peças de algodão, que permitem ventilação, são preferíveis às sintéticas em homens com episódios frequentes de irritação genital.

Por que não devo me automedicar com cremes antifúngicos?

Embora o creme esteja disponível na farmácia e pareça inofensivo, evitar a consulta médica não é a melhor alternativa. Isso ocorre porque a automedicação com antifúngicos sem diagnóstico tem consequências.

Nesse sentido, a primeira delas é o mascaramento de condições mais graves.

Ou seja, uma lesão de sífilis tratada com creme antifúngico pode aparentemente melhorar, e a infecção segue avançando de forma silenciosa.

Além disso, o mesmo vale para outras ISTs e para condições dermatológicas como o líquen escleroso.

A segunda é a resistência fúngica.

O uso inadequado e repetido de antifúngicos pode selecionar cepas de Candida resistentes, tornando o tratamento futuro mais complexo.

A terceira é o atraso no diagnóstico do fator predisponente. Se você tem fimose, diabetes não diagnosticado ou uma condição imunológica que está favorecendo a infecção, nenhum creme vai resolver o problema de forma definitiva.

O que esperar de uma consulta com urologista?

Na consulta, o médico irá realizar uma anamnese detalhada, perguntando sobre o início dos sintomas, fatores associados, histórico sexual, uso de medicamentos e condições de saúde preexistentes.

Em seguida, vai realizar o exame físico da região genital, que é rápido, indolor e fundamental para o diagnóstico.

Com base nisso, pode solicitar exames complementares quando necessário, estabelecer o diagnóstico correto e propor o tratamento mais adequado para o seu caso, seja ele medicamentoso, seja ele cirúrgico quando houver indicação.

Dr. Bruno von Mühlen, Urologista e Andrologista
CRM-SC 18869 – RQE 17624
Endereço do Consultório: Rua Mal. Floriano Peixoto, 606, Jardim Itália, Chapecó-SC

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Candidíase: diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://www.infectologia.org.br
  2. Ministério da Saúde do Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  3. Edwards, S.K., et al. 2014 European guideline on the management of balanoposthitis. International Journal of STD & AIDS, 2014. Disponível em: https://journals.sagepub.com
  4. Sobel, J.D. Candida vulvovaginitis: Clinical manifestations and diagnosis. UpToDate, 2023. Disponível em: https://www.uptodate.com
  5. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.336/2023 — Normas éticas para utilização das técnicas de reprodução assistida. Disponível em: https://portal.cfm.org.br

As informações contidas neste artigo têm caráter exclusivamente educativo e informativo, em conformidade com as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina (CRM). Elas não substituem a consulta médica individualizada. Cada caso é único e deve ser avaliado por um profissional habilitado.

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